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Do fundo do baú

Vila Santa Clara

Vila Santa Clara
1- Torresminho

"Hora de acordar, meu anjo!", e sonoros beijinhos na bochecha. Era assim que mamãe me acordava, horas antes do sol nascer, na distante década de cinquenta. Ela puxava o meu cobertor, colocava sobre a cômoda uma bacia de água, na qual eu lavava o rostinho, e em seguida, ajoelhadas aos pés da cama, rezávamos um dos Mistérios do terço, para que não nos faltasse o pão de cada dia. Então, eu colocava o vestidinho e ia ajudá-la a preparar a refeição matinal dos hóspedes da nossa pensão.
Ela fazia café, chá, colocava biscoitos para assar e verificava a despensa; eu varria o chão, arrumava as mesas e, encolhidinha por causa do vento da madrugada, esperava, na porta da pensão, o senhor Estêvão trazer o caixote com pães e garrafas de leite. Fazia questão de recebê-lo porque, em meio à entrega, ele escondia doces para mim - e também porque morria de rir quando ele me chamava de Torresminho (eu era bem gordinha).
Deixava o pesado caixote com mamãe e, enquanto ninguém chegava, ficava sentadinha no canto da cozinha: comia pães, os doces do senhor Estêvão, a nata do leite que mamãe fervera e, por fim, alguma guloseima que estivesse por ali. Mal terminava e já ouvia o apito do trem na estação, trazendo mais hóspedes; ao mesmo tempo, os que antes dormiam começavam a descer para o desjejum.
Aos meus olhos, a vida era boa e simples, e não entendia por que mamãe dizia que gostaria que as coisas fossem melhores para mim. Pequena como era e adaptada às rotinas, eu não me dava conta de que trabalhava praticamente o dia todo, não estudava nem tinha amigas, vivia entre homens estranhos e, muitas vezes, rudes, e o nosso orçamento era apertado.
Em um novembro gelado, eu estava na despensa, comendo doce de leite à luz de uma lamparina (a fiação elétrica não chegava ali), quando escutei mamãe conversando alegremente no balcão - o que era incomum para ela, geralmente lacônica com os hóspedes. Com o pote de vidro em uma das mãos, colher na outra e a boca suja de doce, fui até a recepção e a vi com um homem baixinho e de barba aparada. "Senhor Venâncio, esta é Cristiane, a minha filhinha!"
Venâncio apertou a minha bochecha e elogiou os meus olhos castanhos claros. Mamãe explicou que aquele homem era diácono em um lugarejo chamado Vila Santa Clara: "Um lugar abençoado!", nas palavras dele. Burocracias eclesiásticas o levavam até a nossa cidade, onde residia o bispo, e, ainda no trem, foi-lhe recomendada a nossa pensão. Elogios aos ícones dependurados atrás do balcão levaram mamãe a falar sobre devoções e fé, e logo o assunto fluiu para a morte de papai por tuberculose há alguns anos, a vida dura da pensão, a solidão do diácono, a tranquilidade e o conforto da vila na qual morava.
Na manhã seguinte, Venâncio partiu, mas pelos próximos dois anos ele retornaria à pensão com uma frequência assombrosa, sempre cuidadoso comigo e com mamãe. Convencidos de que se gostavam de verdade, marcaram o casamento, mamãe, audaciosa, vendeu a pensão e, cheia de expectativa, se mudou comigo para a tal "terra abençoada" da qual Venâncio se orgulhava.
Após uma cerimônia que encheu a humilde igrejinha (Venâncio era bem quisto entre os moradores), mamãe tinha novamente um marido, "Como toda mulher deve ter!", ela dizia. No começo foi difícil vê-la com outro homem que não o papai, mas ambos formavam um bonito casal, ela estava feliz, o meu padrasto me tratava como filha e fiz as primeiras amizades.
Não sei até que ponto Deus abençoava a Vila Santa Clara mais que outros povoados, mas aquele era um lugar peculiar: os seus trezentos habitantes viviam isolados do mundo, ajudavam-se mutuamente e tinham como única autoridade o padre Iosef, que, após as missas, me ensinava Português, Latim (língua pela qual era apaixonado), Matemática e, claro, Religião. Foi nesse cenário pacato e insular que cresci.

2- "Só depois do casamento!"

Dez anos se passaram e uma única mudança ocorreu na Vila Santa Clara: a chegada do Coronel Fabrício. Riquíssimo, corpulento, barba espessa e grisalha, ele comprara imensa quantidade de terras nos arredores e a maioria dos nossos homens passou a trabalhar nas suas plantações, o que rompeu a antes incontestável autoridade do padre Iosef sobre os moradores. O Coronel pouco aparecia na vila e, quando o fazia, era quase um evento: de longe se ouvia o seu automóvel (o único da região) e, fascinadas, as pessoas observavam, sob o sol causticante, o Coronel descer no pátio da igreja, ladeado por dois homens que, segundo os boatos, andavam armados. O padre o recebia e horas se passavam até que ele partisse. Durante a semana, o povaréu tentava desvendar o que fora conversado entre o Coronel e o padre.
Quanto a mim, desinteressada de fofocas, me tornara uma moça bonita: olhos amendoados, cabelos negros e sedosos, nariz pequeno e arrebitadinho, lábios finos e mãos delicadas; a pele clarinha causava inveja nas demais garotas da vila, que tinham-na mais bronzeada, e atraía a atenção dos rapazes - o que me fez conhecer Tiago, o meu primeiro (e único) namorado.
Tiago não trabalhava para o Coronel e estava longe de ser rico, mas era um rapaz de bom coração, honesto e nos conhecíamos desde crianças. Diariamente, ele ia de carroça aos vilarejos vizinhos vender o leite que tirava das suas poucas vacas e, mais tarde, namorávamos na pracinha. Na lua cheia, ele me deixava em casa pouco antes de anoitecer, mas, nas noites escuras, ousávamos: furtivamente, nos dirigíamos a um beco entre uma mercearia e uma oficina de carroças. Lá, sem fazer barulho (porque o dono da mercearia morava no andar de cima), as suas mãos se enfiavam por baixo da saia e me acariciavam. Certificando-se de que ninguém bisbilhotava, Tiago abaixava a calça e eu erguia a saia. "Tira a calcinha hoje, Cris? Por favor?", pedia, e obtinha a mesma resposta: "Nem pensar! Só depois do casamento!"
Conformado, ele se colocava, duro, entre as minhas coxas; eu as pressionava uma de encontro à outra, prendia o pau entre elas e ele se movia para frente e para trás, excitando-se e me beijando longa e deliciosamente durante o vaivém. (Às vezes, ele tentava, entre carícias, puxar o meu decote para baixo, mas ganhava um tapinha na mão, para aprender a se comportar.) Quando o pau começava a melar e latejar, ele se afastava e gozava no canto do beco. Eu me limpava com um lenço e ficávamos abraçadinhos por um momento. "Não vejo a hora de ter você de verdade.", dizia ao meu ouvido.
Voltávamos para casa às apalpadelas, porque não havia iluminação pública nas ruas. Ao me receber, mamãe me olhava feio e me mandava para o quarto, antes que Venâncio, ocupado com papéis da igreja, percebesse a hora que eu estava retornando.

3- Os olhos do Coronel

Em um domingo, eu e duas amigas fomos surpreendidas pelo Coronel circulando vagarosamente de automóvel pela pracinha onde estávamos. Fiquei estática ao notar o seu olhar sobre mim, antes de, finalmente, seguir para a igreja. As garotas fizeram piadas sobre ele ter ficado "gamado", e pedi, acanhada, que parassem com os gracejos.
Dias depois, eu seguia pela ruazinha de cascalhos que levava à casa de Tiago, quando: "Ei, garota! Espere um pouco!" Era um dos "capangas" do Coronel. "Sim?" "Tá indo pra casa?" "Pra casa do meu namorado." "Sei. O Coronel quer conversar com você. Pode vir comigo? Nosso carro tá atrás daquela casa." "Não posso. Daqui a pouco meu namorado chega.", cortei o assunto, nem querendo cogitar o que desejavam comigo. Ele secou o suor da testa com as costas da mão. "Você não se arrependerá, menina. Seu nome é Cristiane, não é?", e tirou do bolso muitos cruzeiros. "Vai ser rápido. Você ainda volta a tempo de namorar." Dei-lhe as costas e ele me segurou o braço. "Você quer mais dinheiro? Quanto quer?" "Se você não me largar, vou gritar! Tenho namorado! Já disse!", falei alto. A ruazinha estava deserta, mas algumas casas tinham as janelas abertas e, se eu fizesse escândalo, moradores surgiriam. "Putinha de merda!", disse entre os dentes, guardando as muitas notas e voltando ao carro.
Cheguei chorando à casa de Tiago, que me deu água com açúcar e ficou indignado com a abordagem. "Esse desgraçado do Coronel acha que pode comprar pessoas, também!" Na minha casa, Venâncio disse que relataria o fato ao padre Iosef, amigo do Coronel, e alguma providência certamente seria tomada. Contudo, nada foi feito, e qual não foi a minha estupefação ao saber, na semana seguinte, que após uma visita dos homens do Coronel, Tiago e os pais se mudaram de vila? Assim mesmo, de uma hora para outra, sem explicações ou despedidas. E aqueles dias turbulentos ainda me reservariam outras surpresas.

4- Qui invenit mulierem bonam, invenit bonum

Sofrendo pelo fim do namoro, eu passava os dias amuada no quarto. Às vezes, percebia mamãe e Venâncio conversando ao meu respeito, mas se calavam quando me aproximava. Em uma tarde qualquer, mamãe avisou que o padre Iosef jantaria conosco e que eu deveria estar à mesa. "Vai me repreender por eu estar faltando às missas.", deduzi.
Durante o jantar, comendo pouco e percebendo um desconfortável silêncio e uma constante troca de olhares entre o padre Iosef, Venâncio e mamãe, perguntei abruptamente: "O que está havendo? Vocês querem me dizer alguma coisa?" "Acho melhor a senhora, como mãe, contar a novidade à nossa querida Cristiane.", disse o padre. Venâncio se ajeitou na cadeira, mamãe adquiriu um ar solene. "O Coronel Fabrício quer se casar com você, filha." "Quê?" Era uma péssima piada! Mas o padre complementou: "In carne una, amica mea! In carne unam."
Entendendo que falavam a sério, atirei o guardanapo sobre a mesa. "Isso é um absurdo! Um ultraje! O velho me desrespeita no meio da rua, destrói meu namoro e vocês querem que eu me case com ele?" Saí da mesa e caminhei para o quarto; mamãe ordenou que eu retornasse e me desculpasse com o sacerdote, que, por sua vez, pedia calma a ela. "É uma reação natural, minha senhora. Dê um tempo à garot--" Bati a porta antes de ouvi-lo completar a frase.
Da cama, ouvi os três cochicharem entre si, até que mamãe bateu na porta do quarto. "Não quero ver ninguém!" Ela entrou mesmo assim e se sentou ao meu lado. "Vamos conversar de mulher para mulher, como duas adultas?" Não respondi; ela prosseguiu: "Que futuro você teria com o Tiago, filha? Namorar um entregador de leite?" "Eu gostav--" "Me escute!", enérgica, porém sem levantar a voz. "Uma mulher tem que ser prática. Graças a seu pai, que Deus o tenha!, tínhamos a pensão, e apesar das dificuldades, nunca nos faltou pão à mesa. E hoje, graças ao Venâncio, vivemos bem, trabalhamos pouco, você aprendeu a ler e a fazer cálculos. Você acha que se eu tivesse me casado com o primeiro que apareceu, teríamos esta vida?"
"Mas me casar com um vel--" "Não seja tola! Não criei uma filha tola, entendeu? Você vai se casar com um homem poderosíssimo, que vai te dar muito mais do que jamais sonhei ter! Ele vai ajudar a mim e a seu padrasto, vai ajudar à igreja, que passa por dificuldades! Você acha que o Tiago está triste? Ele e os pais estão na Vila Eldorado; ganharam dinheiro do Coronel, compraram uma boa casa, abriram uma mercearia, não vivem mais de ordenhar vacas imundas e vender leite de porta-em-porta! Eles receberam a graça de Deus, em vez de ficarem se lamuriando como um bebê cuja única preocupação era chegar em casa mais tarde do que devia, se escondendo do padrasto! Você não é a menininha da pensão; é uma mulher-feita, e mulheres precisam de maridos, e de maridos de posses! Agora, seque as lágrimas, volte para a mesa e peça perdão ao padre pelo seu comportamento!"
Humilhada, retornei à mesa, pedi desculpas e disse que seria a esposa do Coronel quando ele assim desejasse. Venâncio sorriu para mamãe; o padre colocou sobre a mesa uma belíssima aliança de noivado e arrematou: "Sapientia callidi est intelligere viam suam."
Naquela mesma semana, a igreja começou a ser reformada e a notícia de que o Coronel se casaria circulou pela vila. O vestido de noiva chegou da capital e mamãe fazia os ajustes. "Posso perguntar uma coisa?", temerosa de que me xingasse de novo. "Sim.", espetando alfinetes pelo vestido. "O Coronel não deveria conversar comigo primeiro, pra ver se gosta de mim? Eu recusei o dinheiro dele e f--" "Recusando o que muitas aceitariam, você mostrou seu valor. E você sabe que um homem não se casa para conversar." As bochechas coraram. "O Coronel Fabrício é um homem ocupado; não ficará de fofoca com você. Durante o dia, você administrará a casa e, à noite, o deixará satisfeito. Esta é a vida de uma esposa. Por meio de mim, do Venâncio e do bom padre Iosef, o Coronel já sabe o que precisa saber a seu respeito. A você, basta corresponder às expectativas. Compreendido?" "Sim, senhora." "Então muito bem.", e enfiou mais alfinetes.
As minhas amigas estavam cheias de inveja e o padre Iosef me disse, em uma visita inesperada, que não apenas haviam chegado caixas e mais caixas de fogos de artifício para a cerimônia, como também o depósito da vila fora abarrotado de bebidas pagas pelo Coronel, para que todos celebrassem conosco. Apesar disso, eu não conseguia me convencer de que o meu futuro marido era uma boa pessoa, e só tolerava a ideia do casamento por ter sido trocada por uma mercearia.

5- O novo lar

A cerimônia, realizada em uma tarde ensolarada, foi perfeita. A igreja e o vestido ficaram lindos, mamãe, Venâncio e padre Iosef se emocionaram, uma dupla de fotógrafos da capital foi contratada para registrar a celebração, pessoas vieram das vilas vizinhas e se divertiram até altas horas, com fogos de artifício e bebidas à vontade animando-as. Sem dúvida, foi um acontecimento que marcou a minúscula Vila Santa Clara, e se antes o Coronel Fabrício era temido, passou a ser admirado e querido.
Eu, por outro lado, após o sermão, a promessa de fidelidade, as alianças, o beijo e o lançamento do buquê (que foi pego por mamãe, para riso geral!), entrei em um carro maior do que o que eu vira na pracinha, e, ao lado do Coronel, no banco de trás, retirava da roupa e dos cabelos os grãos de arroz atirados em mim na escadaria da igreja. O motorista acelerou e os aplausos e gritinhos de "Viva os noivos!" ficaram para trás. O Coronel fechou uma "janela" entre nós e o motorista, impedindo que ele nos visse e ouvisse.
"Enfim, privacidade! Está se sentindo bem?" "É a primeira vez que entro em um carro.", confessei, apalpando o banco de couro. Ele sorriu, mas foi logo ao que lhe interessava: "Você namorou o entregador de leite por quanto tempo?" "Um mês, apenas, senhor.", menti, como mamãe me orientara. "Ainda gosta dele?" "Não, senhor." "É pura?" "Sim, claro.", corando. "Fale-me de você." "Hmmm... eu... é... sei cozinhar, costurar... sei ler e escrever em Português e Latim... sou boa de Matem--" "Sabe das obrigações de uma esposa para com seu marido, presumo." Aquilo não era um diálogo, era um interrogatório. "S-sim... sim, senhor. Mamãe me disse." "O que ela disse?" "Disse para... para eu obedecer ao senhor e... e não reclamar.", angústia e vergonha me consumiam. "Então ela disse tudo.", e se calou.
Olhei os campos e senti o vento gostosamente atingir os cabelos; tentei calcular quanto tempo levaríamos para percorrer aquela distância se estivéssemos a pé ou de carroça, mas interrompi o pensamento quando percebi o quanto nos afastávamos da Vila Santa Clara e quão longe eu ficaria de mamãe. O Coronel percebeu a aflição. "Chegaremos logo. Os homens da sua vila que trabalham para mim fazem trajeto semelhante diariamente, em carroças e carros de boi." "Deve ser cansativo!" "Sem dúvida. Escute... quando chegarmos, não demorará até você conhecer Rosálida, a governanta; ela lhe colocará a par do indispensável sobre a residência e as demais empregadas. Mas preste atenção: não quero você de mexericos com ela. Não confio naquela mulher.", asseverou. "Sim, senhor.", respondi, confusa, porque, sendo ele o patrão, bastaria demiti-la, não?
Algum tempo depois, o carro reduziu a velocidade: à frente, uma porteira foi aberta por três homens armados; passamos por eles e, dez minutos depois, estacionávamos diante de um casarão de três andares, lindo, aparentemente construído há pouco tempo. "Nossa! É três ou quatro vezes maior que a pensão que tínhamos na cidade!" Desci do carro e o meu "marido" indicou uma outra casa, também grande, erguida a certa distância. "Lá moram os empregados. Mandei-os para lá, para ficarmos a sós."
Entramos. Como previra, o casarão estava vazio. O Coronel me mostrou os principais cômodos dos dois primeiros andares: vastos, suntuosos, ricamente mobiliados; quadros maravilhosos, estatuetas exóticas, castiçais elaborados e diversos objetos a mim desconhecidos ornavam os ambientes. No terceiro andar, ele apontou uma porta dupla, entalhada com estranhos desenhos. "Você tem livre acesso à casa, mas ali você não entra sem permissão." "Sim, senhor." "Venha. Aqui é o quarto. Abra as cortinas."
Caminhei pela penumbra e puxei as cortinas: pelas janelas compridas, a luz do sol iluminou a cama confortabilíssima, dois guarda-roupas enormes, sofás macios ao redor de uma mesinha, estantes repletas de livros próximas a uma escrivaninha de madeira nobre; nas paredes, além dos quadros, havia um crucifixo prateado incrustado com pedras preciosas. Lembrei-me das palavras de mamãe: "O Coronel vai te dar muito mais do que jamais sonhei ter." Ela estava certa.

6- As núpcias

Sentado no sofazinho de um só lugar, o Coronel se espreguiçou. "Que dia cansativo! Prepare um conhaque!" Ainda vestida de noiva, li "Cognac" em uma uma das dezenas de garrafas que estavam em uma prateleira no canto do quarto, e enchi meio copo. "Aqui, senhor.", temendo ser repreendida pela demora. "Você precisa aquecer o conhaque antes de servi-lo, e este não é o copo apropriado." "Ah, perdão..." "Não se preocupe. Amanhã, peça para Rosálida lhe orientar sobre isso. Agora, abaixe-se. Quero relaxar.", e abriu a calça, revelando o pau que, apesar de flácido, era grosso.
Eu conhecia somente a "brincadeira do beco" e continuei de pé, sem entender. "Ajoelhe-se.", apontou para o chão, entre as suas pernas. Obedeci, ele me mandou abrir a boca, olhei para ele, desconcertada. "Abra a boca, Cristiane.", repetiu e, com a mão livre, segurou os meus cabelos por trás e conduziu a minha boca aberta até o pau; senti o cheiro e o sabor desagradáveis. "Agora, pressione os lábios ao redor dele e sugue, mas sem encostar os dentes."
Eu me perguntava se ele desejava me aviltar ou se aquilo era algo que as esposas costumeiramente faziam aos maridos. Eu chupava, o pau crescia; o Coronel afagou os meus cabelos e abriu mais as pernas. "Isso. Não tire da boca. Só pare de chupar quando eu mandar." Os seus gemidos e o som da minha boquinha molhada preenchiam o quarto. "Deslize a língua por ele." Tirei da boca, coloquei a linguinha de fora e lambi o pau do meu marido, das bolas à cabeçona, diversas vezes; deixei-o úmido e brilhante, a cabeça vermelha e inchada apontava para o alto.
Ele se levantou e me mandou despi-lo. Tirei-lhe o paletó, a gravata, a camisa, os sapatos e meias, abri o cinto e tirei-lhe a calça e a cueca, deixando as peças sobre o sofazinho. "Devo me despir, também?", timidamente. "Você está esplêndida. Tire a calcinha e deite-se na cama, com as pernas abertas." Acabrunhada, abaixei a calcinha, deixei-a perto das roupas dele e deitei-me. O Coronel se ajoelhou sobre a cama, próximo a mim, ergueu o meu vestido e aprovou o que viu. "Abra as pernas." Abri. "Abra mais." Atendi, mas ele, insatisfeito, segurou os meus joelhos e as escancarou. "Ai!" "Sem reclamações." Passou a mão entre as minhas pernas, introduziu o dedo e encontrou o hímen. "Ótimo." Deitou-se sobre mim e, sem muito cuidado, enfiou. Gemi de dor. Ele estocou forte por duas vezes, rompeu o selinho, enfiou mais fundo: "Ah, que maravilha!", regozijou-se quando entrou totalmente.
Mamãe fora bem clara: sem choro nem queixas. Cumpri à risca. Desprezei a dor e deixei o meu marido se satisfazer: fui beijada e senti o sabor do conhaque; ele desceu o vestido e abocanhou os seios redondinhos, sem parar de enfiar. Pelo vigor do sexo, era nítido que aprovava o meu corpo: colocava-se fund0, as mãos me pegavam inteira, a boca alternava entre seios, ombros, pescoço e a minha própria boca, as sensações se sobrepunham umas às outras; às vezes, me elogiava entre gemidos: "Linda! Deliciosa! Quanta formosura!"
"Se fosse o Tiago, já teria terminado.", pensei, enquanto o Coronel penetrava avidamente, suado, esbaforido, dedos apertando a carne macia. "Não feche as pernas!", mandou, arfando, e eu as forcei lateralmente ao máximo, agradando-o e me lembrando de outro conselho de mamãe: "Quando estiver na cama, não gema como uma prostituta. Fique quieta e espere-o terminar.", e era o que eu fazia, suportando a dor e consumando o casamento.
Confesso que achei bastante nojento o gozo jorrando dentro de mim (fiz até careta). Após se esvaziar, o Coronel rolou para o lado da cama, encharcando os lençóis e o travesseiro de suor. Delicadamente, fechei as pernas e ajeitei o vestido, cobrindo a minha intimidade e os seios. Tiago se recuperava em pouco tempo, mas não o Coronel. "Quer que eu traga água pro senhor?" Ele se sentou e acariciou o meu ventre. "Vai me dar um varão?", e só então percebi que poderia estar grávida. "Sim... sim, senhor. Espero que sim." Desceu da cama, vestiu a calça e a camisa somente, acendeu algumas velas pelo quarto, pois escurecia, me disse para descansar e saiu.

7- Rosálida

De pé perto da janela, ainda de vestido e dolorida, eu observava as estrelas surgirem uma a uma e tentava descobrir quanto tempo levaria até eu me sentir à vontade naquela casa, e com qual frequência mamãe e Venâncio me visitariam. Uma mulher de uns quarenta anos, robusta, bochechas rosadas, cabelos negros e trançados, entrou no quarto. "Não imaginei que fosse tão bonita! E olhe só esse vestido!", verdadeiramente encantada. "Obrigada! Você deve ser Rosálida." "Sim, isso mesmo! O Fabrício já falou de mim, pelo jeito!" Achei graça na maneira informal como ela se referiu ao Coronel.
Ela reparou no lençol manchado de sangue. "Ele machucou muito a senhora?" "Um pouco. Mas acho que é normal, não?" "Nós, mulheres, nascemos pra sofrer. Mas deixemos isso de lado. Me acompanhe, por favor." "Na verdade, eu queria me limpar, Rosálida." "Ora, meu anjo! É isso mesmo que providenciei! Venha!", e caminhamos pelo casarão, agora iluminado por velas e lampiões, até chegarmos a um pequeno e aconchegante cômodo no primeiro andar. Lá havia uma banheira com água, toalha, perfumes, uma camisola e vários apetrechos. Fiquei nua e entrei na banheira. Rosálida massageava as minhas costas e cabelos; fechei os olhos, relaxei, o tempo havia parado.
"Rosálida, o Coronel me disse que quer um menino... e se vier uma menina?" Ela deu uma risadinha. "Posso lhe segredar algo?" "Sim, claro." "Não virá nem menino, nem menina. Achamos que Fabrício é infértil." Virei o rosto para ela, assustada. "Mas então...?" "Não se preocupe, meu bem. A madame Pierla endireitará o que nasceu enviesado." "Madame Pierla?" "Não creio que aquele obtuso falou de mim e se esqueceu da própria mãe! Onde este mundo vai parar? Madame Pierla é quem manda e desmanda nestas terras e nesta casa, por mais que todos achem que Fabrício é o dono. Ela soube da recusa ao dinheiro e, após conversar com o padre Iosef sobre você, determinou o casamento. Você a conhecerá no momento apropriado." "É ela quem fica no quarto de porta dupla?" "Sim, mas não entre lá a menos que seja convidada." Com certeza, eu acabava de me inserir em uma família extravagante.
A boa mulher secou o meu corpo e cabelos, perfumou-me e vestiu-me com a camisola. "Prontinho. Eu não durmo com os empregados; meu quarto é no segundo andar, no fim do corredor. Pode me chamar a qualquer hora; eu e as empregadas, às quais você será apresentada amanhã, estamos aqui para servi-la." "Muito obrigada!", eu disse, sincera.
Na cozinha, fiz uma leve refeição e, em seguida, a governanta me acompanhou de volta ao quarto, substituiu o lençol ensanguentado, deixou sobre o criado-mudo uma jarra de água e um copo. "O Fabrício ainda está com a mãe. A senhora necessita de algo mais?" "Não, Rosálida. Só tenho a agradecer!" Beijei-lhe a face, ela enrubesceu e se retirou.
Sozinha, procurei nos quadros por alguma representação da Madame Pierla, mas não tive sucesso. Apaguei as velas e deitei-me, pensando em Tiago e no Coronel, nas minhas amigas da Vila Santa Clara e no padre Iosef, na prestativa Rosálida e em mamãe, e na minha misteriosa sogra, que definiu o casamento do filho sem nem me conhecer... revivi cada temor, raiva, decepção e dor que senti desde o dia em que, na pracinha, o Coronel pôs os olhos em mim, e pedi a Deus que as desilusões e conflitos tivessem se encerrado, para que eu pudesse, naquele casarão, reaver a serenidade dos meus primeiros anos.

Twitter: a_fantasiadora
Skype: a.fantasiadora

Sobre este texto

bia

Autor:

Publicação:25 de janeiro de 2015 08:20

Gênero literário:Contos eróticos

Tema ou assunto:Heterossexual

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