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Muvuca - IV

Muvuca - IV

Capitulo - IV



Depois de adultas, as filhas de Dona Gegê que não concordaram com o próprio nome, o jeito era ele procurar o advogado doutor Alceu Modo para entrar com um processo de ratificação dos nomes.
O intenso perfume das rosas do jardim enchia o interior da mansão, por instantes, quando a brisa matinal de verão agitava ligeiramente as mangueiras e cajueiros do quintal. Ilidio andava de um lado para outro pensativo e fumando um cigarro a trás do outro, como era seu hábito todas as vezes que estava encrencado. O ócio quase interrupto enchia sua existência. Ilídio e seu irmão Eridio poderiam ser considerados o Mala e o Jegue. De internet ele tinha uma vaga noção. Eles pertenciam a um grupo de jovens despreocupados que não podiam suportar a abundância de duas coisas: a de tempo e a de dinheiro. Como era de costume, possuíam um grande número de amigos, quando se encontravam aliviavam as duas cargas totalmente supérfluas, e com dinheiro ficava muito fácil gastar o tempo. Jogo de futebol, distrações com mulheres, uso indiscriminado de bebidas e drogas etc...
Nesta manhã Ilidio entrou na sala. Encontrou doutor Raimundo e Silva sentado no seu divã preferido fumando um charuto cubano e resmungando contra o jornal Meio-Norte que trazia notícias sobre ameaças de paralisação da magistratura no Piauí.
- Olá Ilidio! O que o traz aqui tão cedo? Julgava que já estivesse no trabalho.
- Amor familiar, Paínho! Nada mais...
- Sei... Engana-me que eu gosto.
- Preciso de sua ajuda.
- Dinheiro?
- Não... Desta vez a dificuldade é outra.
Fazendo uma careta, quis saber:
- Então desembucha logo, que está atrapalhando minha leitura matinal.
- Vim pedir sua ajuda para me livrar de uns processos que movem contra mim. Gente sem coração. O senhor sabe como são essas coisas.
O tom da voz do doutor era frio e duro. Pronunciara aquelas palavras com uma lentidão deliberada. Nos seus olhos brilhava o brilho do desprezo.
- A resposta é não. Não ajudo réu. Só vitima. Perdeu seu tempo. É só parar de aprontar que os problemas desaparecem.
- Vou ser abandonado a própria sorte, lamentou Ilidio desolado.
- Comete muitos erros.
- Oh! Sim, certamente.
- Você cresceu cometendo sempre as mesmas loucuras. As pessoas que se aproximam de você são vítimas do seu miserável senso, e percebem tarde demais suas ações.
- O que mais me aconselha Paínho?
- Mudar... Mudar. Só os idiotas não mudam...
- O senhor me viu crescer, agora sou um homem. Possuo novas paixões, novos momentos, idéias diferentes. Sou diferente, mas nem por isso deve gostar menos de mim.
Toda cordialidade desapareceu do rosto do magistrado. Ele ficou roxo de raiva, as veias nas têmporas saltaram. E por trás disso tudo havia uma inconfundível reação de incredulidade. Ele inclinou-se para frente e disse furioso:
- Vai pentear macaco, Ilidio!
Ao levantar-se, Ilidio sentiu dores nos ombros e joelhos por ter passado muitas horas sentado no banco de um carro, na mesma posição. A intenção de sair da casa quase extinguiu a fome. Era uma reação curiosa. Mas deveria seguir três quarteirões para o sul, onde havia um pequeno bar onde poderia comer um sanduíche. Não sabia se era observado. Na calçada, andou rápido com passos largos, olhos fixos a frente. O bar ficava no meio do quarteirão e dispunha de meia dúzia de mesinhas dói lado de fora, pelo verão. O interior do estabelecimento era estreito e escuro, tomado por outras dez mesas e um balcão que corria ao longo de uma parede. Ilidio piscou uma ou duas vezes enquanto seus olhos se ajustavam a pouca claridade. Ao som ambiente de Frank Sinatra seu coração começou a sair do ritmo. Uma garçonete de meia idade se aproximou. Ao chegar próximo dos seus olhos a força inegável da atração:
- Sozinho: Perguntou ela.
- Isso mesmo.
- Por aqui. A garçonete gesticulou para uma mesa no fundo do bar e abriu um cardápio na sua frente.
- Alguma coisa do bar?
- Um copo de vinho tinto, por favor.
- Volto num instante. O especial de hoje é Tambaqui grelhado.
- Nada mal.
Nesse passada ligeira percebeu o olhar atravessado da garçonete em seu corpo dos pés a cabeça. Depois sorriu... Ilidio olhou para os lados, depois observou a garçonete encaminhar-se para o balcão. Desejava ser o único homem no recinto. Não era. Havia outros rapazes no recinto. Então lhe despertou a idéia que deveria tentar uma aproximação cautelosa com a dita cuja.“Essa mulher tem cara de Periguete experimentada”. O cardápio era grande. Ele o ergueu na sua frente e logo tornou a baixá-lo, esperando ver a garçonete com o vinho. Ela o colocou à sua frente acompanhada de uma cesta de pães. Ele imediatamente pegou um pãozinho e sussurrou.
- Estou morrendo de fome.
Agora a garçonete se aproximava com a comida. Ele pediu mais um copo de vinho. Mantinha os olhos no prato que tinha uma boa aparência. Sem qualquer expectativa desceu suas pupilas ligeiramente por aqueles seios médios que aquela fêmea ousada apresentava ao tempo através de um profundo decote. O seu corpo balançava na sua mente. Depois observou:
- São lindas suas pernas, arriscou.
- Obrigada, respondeu sorrindo a mulher.
Ficou impressionado com a simplicidade, o natural dessa iniciativa de contato.
- Solteira casada ou tico-tico no fubá?
- Solteira. Porque quero um homem que respeite meu silêncio e minhas inconstâncias e que não cobre mais do que eu possa dar e viver a liberdade da libido em cores.
- Encontrou! Sou capaz de embriagá-la em gozos e devaneios. Um gozo adiado, saciado, suado, faminto. Sexo sem medo. Apetecer-te trincar-te… Sim, trincar-te, saborear-te, como quem saboreia e trinca suavemente a fruta madura cujo sumo escorre da boca, descendo pelo queixo e caindo nos seus seios…
- Ousado e atrevido! Então é uma prostituta que você precisa e não uma esposa.
- Engraçado, vocês mulheres são todas iguais. Minha vovó sempre me diz a mesma coisa.
- Eu nunca entendi o universo masculino. Quando conhecem mulheres decididas e conscientes de seus desejos começam a erguer montanhas de impedimentos.
Adorava provocar e medir forças, ver até onde poderia ir com seus jogos de sedução.Na maioria das vezes fracassava. Ele deixou o restaurante sentindo um misto de raiva e decepção. Sentindo-se um perfeito idiota.
O magistrado sabia que o rapaz tinha humor estranho, como defini-lo? Ele tinha o estranho hábito de entrar e sair o dia todo da casa sempre cantarolando desafinado, como se tivesse motivo de sobra para estar feliz. Um rapaz consciente nos seus direitos, muito mais que nos seus deveres. Visto por alguns como baderneiro, arruaceiro, louco e desequilibrado e tudo mais que poderia ser dito para desqualificá-lo. Amava a noite e se divertia cometendo pequenos delitos que ficavam certamente impunes. Tratava as pessoas com tamanha empáfia, arrogância e só tinha medo dos castigos de Deus, e de mais ninguém. Era um jovem estremecido pela ausência de razão que insistia em cair na sentimentalidade, pensando somente tolices e cometendo asneiras. Doutor Raimundo Evilázio e Silva levantou-se e começou a andar bem devagar na direção de seu escritório que ficava ao fundo do corredor. Ele estava com a testa ligeiramente franzida, ele entrou no recinto diante de uma mesa maciça de pau preto, as estantes baixas de carvalho lavrado, abarrotadas de livro sobre direitos civis e criminais. Em cima de uma escrivaninha monte de documentos e processos empilhados mais ou menos em ordem, tudo ali tinha uma feição austera de paz estudiosa. Com ar ausente olhou um magnífico quadro à sua frente. Era uma foto mais recente dele. O doutor Raimundo era um pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes: e com a sua face larga de nariz aquilino, a pele corada, quase vermelha, o cabelo grisalho todo cortado à escovinha lembrava um varão da idade Média. “Estava mais velho que cagar sentado”. Mas tivera uma época de ouro. Muitas amantes, aparecimento das pílulas azuis, V.I.A.G.R.A (velhinhos impotentes e adeptos de grande alegria), mais conhecidas como as pílulas milagrosas. No seu escritório havia na parede, uma enorme foto do magistrado com uma gravata abaixo do cinto. Ou seja, muito grande que seria útil como abanador de Bilau. Ele estava com cara de locutor do fim do mundo. A foto era sinistra. “Acabou!!!... Acabou!!!... Acabou!!!...” Apesar de tudo, o Juiz dizia que ainda ia longe. Naquela idade, de verão ou inverno, ao romper do sol, estava sempre em pé, saindo logo para fazer o seu Cooper matinal na Av. Cajuína. Para ficar com seu Cooper feito. Na volta um mergulha nas águas geladas da piscina que ficava nos fundos da casa. Sempre tivera um amor supersticioso pela água.
Não era o lar o último recesso daquele homem civilizado, sua última fuga, o derradeiro recanto em que pode esconder suas mágoas e dores. Não é o lar o castelo do homem. O castelo do homem era o banheiro. Num mundo atribulado, numa época convulsa, numa sociedade desgovernada, numa família dissolvida ou dissoluta, só o banheiro é um recanto livre, só essa dependência da casa e do mundo dava a ele um hausto de tranqüilidade. Era ali que ele sonhava suas derradeiras filosofias e seus moribundos cálculos de paz e sossego.
O doutor Raimundo Evilázio foi recuando, desesperado e só obteve um instante de calma no dia em descobriu seu santuário dentro de sua própria casa: o banheiro. Ali ele estava só consigo mesmo, tudo era segredo, ninguém o interrogava, pressionava, compelia, tentava, sugeria ou assaltava. Ali era que o chefe da casa passando dos quarenta anos, olhando os cabelos já grisalhos, os claros da fronte, e refletia, sem testemunhas nem cúmplices, sobre os objetivos negativos da existência que o estava conduzindo, embora bem sucedido na vida prática, a essa lenta degradação física. Examinava com calma sua fisionomia, punha-se de perfil, verificava o grau de sua obesidade, reflete sobre vãs glórias passadas e decide encerrar definitivamente suas pretensões sentimentais, ansiava cada vez maior e mais constante num mundo encharcado de instabilidades. O banheiro era o que restava de indevassável para a alma e o corpo daquele homem moderno, e queira Deus que numa adaptação total ao espírito de uma humanidade cada vez mais gregária, sem o necessário e apaixonante sentimento da solidão ocasional.
A casa era rica e muito confortável. Durante os últimos anos, valendo-se do bom gosto da mulher, ele fizera tudo para conseguir o máximo de luxo e refinamento. Adorava as coisas boas que tinha; as cadeiras com forração em couro legítimo, tapeçaria oriental. Todos esses detalhes constituíam uma prova evidente de seu sucesso. Elevara-se àquela prestigiosa posição à custa de seus próprios esforços, partindo da camada mais humilde e desprezível da sociedade. Escolhera a advocacia não por predileção ou porque se sentisse moralmente inclinado à profissão, mas por achar que era a melhor oportunidade para se chegar ao poder. Aquele lema o perseguia sem cessar, como engrenagens girando dentro de seu cérebro. Como advogado começara trabalhando nos tribunais de instância inferiores, mas era seu primeiro passo na direção de suas ambições. Embora desempenhasse todas as obrigações com uma postura exemplar, continuava a estudar diretos trabalhistas e direitos constitucional. Tornou-se aos poucos conhecido até se submeter a um concurso para Juiz sendo aprovado com méritos.
Era como dar um golpe proibido, abaixo da inteligência. Os paradoxos eram bons desde que fossem à sua maneira. Ouviu-se imediatamente um ruído de passos no corredor, depois uma porta que se abriu entrando nos seu aposento calado. A vida do magistrado tinha mudado para muito melhor. Em Campo Maior a casa do doutor Raimundo Evilázio ficava num quarteirão de casas de madeira com três andares, que pareciam datar do inicio do século passado. As mangueiras que inspiraram o nome da rua eram ainda antigas, e suas folhas semelhavam prata sem lustro, ao sol forte da tarde. Essa parte da cidade era uma mistura de casas de cômodos e residências particulares, consultórios e casas semi-comerciais. A casa do doutor Raimundo Evilázio, depois de muitos anos de abandono estava em péssimo estado. Algumas das tábuas estavam soltas e precisavam de fixação e pintura. Parecia o espectro de uma casa sombria, num terreno sufocado de capim crestado e ervas daninhas pardas. A casa parecia afundar-se numa vida de relutância e torpor.
A velha e alta casa estava num escuro total. Parecia suspensa acima dele, Ilidio, como um passado funesto que amontoara geração sobre geração na direção das estrelas. Procurou as chaves da porta que sempre era deixada nos pés de duas corujinhas no canto da janela, mas não foram deixadas lá. Bateu na porta da frente repetidas vezes e ninguém respondeu. Teve vontade de gritar para casa como fazia sempre ser irmão Eridio quando isso acontecia. Desistiu... Iam pensar que ele tinha enlouquecido ou estava drogado. Encostou-se na parede e ficou olhando ma rua tranqüila. Tinha estacionado o carro do deputa na rua. Aos poucos um clarão começava surgir no céu acima das densas sombras das mangueiras. De repente saiu daquela apatia e começou a esmurrar a porta. Esfolou os dedos e ficou a chupá-los. Era o efeito de um enorme cigarro do capeta que ele tinha acabado de enrolar e fumara de uma vez só. O efeito fora uma pedrada no seu cérebro. Erídio falou do outro lado da porta.
- Quem é?
- Quem você acha que seja... O jumento? Abra a porta.
Apesar do tratamento rústico, os dois irmãos se davam muito bem. Tinham segredos comuns, múltiplos e condenáveis. Ilidio era sempre o mais saído. Mantinha sempre uma ponta de terror na sua voz. Os dois falavam como se tivesse ultrapassado os limites do mundo, e tivesse descoberto que era tarde demais para recuar. Quando pegavam a auto-estrada Teresina - Campo Maior, tinham a sensação de andar voando no espaço. Era como se estivessem voando acima dos tetos das casas que se sucediam mos dois lados da rodovia.
- Não posso. Lilica saiu foi dormir na casa do doutor Arqui Mede e levou a chave consigo.
- Ela não devia fazer isso.
- Eu também acho, mas fez.
- Vou abrir a porta dos fundos, de a volta na lateral da casa.
Ele suspirou tão fundo que fez a cadeira ranger. Suspirou. Ao entrar o irmão o examinou detalhadamente e falou:
- Quero que você vá até o banheiro e dê uma olhada no espelho em seu rosto. Faça essa barba que você está horrível. O que está acontecendo contigo? Está pensando que Marijuana é feijão, É?
Entrou no banheiro e olhou para seu rosto. Estava abatido e pálido. Fez careta para reavivá-lo, mas os olhos não mudaram. Estavam brilhantes e baços ao mesmo tempo. Fez a barba e lavou o rosto. Seu aspecto melhorou um pouco, mas ansiedade e a fadiga que ele trazia dentro de si ficaram inalteradas. Quando voltou para a sala, o irmão deu-lhe uma examinada melhor.
- Está se sentindo melhor?
- Um pouco. Há quanto tempo não come direito?
Olhou para o relógio. Faltavam dez para as quatro da manhã.
- Faz umas nove ou dez horas. Trouxe o deputa de Goiania, mais de vinte quatro horas parando somente para reabastecimento. Estou com fome e cansado.
- Tá legal, então, nós comeremos alguma coisa. Mas aonde? O restaurante aqui perto, Frango Assado só abre às sete horas.
- Trabalhar com Deputa é bom, mas super estressante. Ele vive sob pressões política e resolve viajar de uma hora para outra. Ele diz que eu sou seu pulso de ferro no qual encarna toda força esmagadora.
Jogou-se na cama e tentou desligar-se do mundo exterior; mas sua mente foi invadida por sonhos com mortos em revolta. Acordou com a alma lavada e um forte sol. Eram quase doze horas pelo seu relógio. Olhou através das persianas meio fechada, dava a impressão de estar cortadas em pedaços brilhosos e ardentes. Estava tendo alucinações até acordado. Aos poucos foi inclinando o corpo para a janela, como uma planta que adorasse a luz. Seus olhos continuavam fatigados e assustados. Recuou a cabeça da janela como se tivesse localizado um inimigo fatal, de tocaia na rua. Ele ás vezes sofria da síndrome do pânico.
Mais tarde, depois de comer que nem um leão, saiu, entrou no carro e dirigiu por alguns quarteirões até a Assembléia Legislativa cuja torre relógio era a maior estrutura da cidade. Acima do gigantesco relógio de quatro faces do prédio do Banco Itaú, onde havia um terraço de observação cercado por uma grade de ferro trabalhada. Havia uma família de turista lá no alto, e um garotinho com o queixo na grade sorrindo para baixo.

Continua...

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Ivan
escritor

Sobre este texto

ivan

Autor:

Publicação:9 de junho de 2012 12:30

Gênero literário:Crônica erótica

Tema ou assunto:Pulando a Cerca

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