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Muvuca - VIII


Muvuca - VIII

Capitulo – VIII

Imagine um ser que chegue a terra pela primeira vez e se encontre com Mary Caçapa. Está condenada por antecipação a danação eterna. Foi comprovada a tese que só se encontra uma única vez na vida com Mary. Não há uma segunda chance. Aquela misteriosa figura é brasileira e seu domicilio é uma incógnita, idade, estado civil, sinais característicos, nada... Nada se sabe dela. Aquela fêmea predatória com uma cachorra Pit bull dentro de si. Terê sempre ouviu em silêncio os acessos de ódio da filha, Mary Caçapa. Quando ela tossia provocava tremores de terra e furacões. Sua elegância mágica e sua forma de desdém pela humanidade.
A história pessoal da moça conta que certa vez um policial se tornara perdidamente apaixonado pela bela loira. Fora não por muito tempo. Andava tão desequilibrado que bebeu um copo de ácido, por engano, em vez de água. Não sobreviveu. Semelhantes gestos de desesperos dos interessados na moça eram freqüentes. Semelhante veneno que tinha a propriedade de transformar o mais tranqüilo em tragédia. Mary Caçapa, bela mulher, de relacionamento fugaz, murmurava os nomes de seus amantes com grande comoção, de noite suspirando, abraçando o travesseiro. Ela era capaz de deixar qualquer um pensativo. Uma loira de corpo perfeito e de beleza única. Possuía um jeito de singeleza e juventude no andar, capaz de provocar no sexo oposto pensamentos libidinosos e de doce volúpia. Mesmo olhando-se todos os dias no espelho, ela ainda se encantava com sua beleza. Não era só beleza, mas a maneira como conseguia enfeitiçar os rapazes que ainda não a conhecia. Tinham um humor irônico que sempre a fazia rir.
Depois de tantas experiências sexuais se concluía que “ela era pau para toda obra; ou melhor, obra para todo pau”. Quando descia para o seu quarto com alguns de seus namorados, à noite, ia sempre exaltada. Seu comportamento era um lirismo equívoco, quase torpe. Ouviam-se seu linguajar de luxúria nos braços de seus companheiros duma concupiscência alucinada:
- Oh! Vem amado do meu coração, corpo desejável, minha alma impaciente quer-te! Abraça-me! Penetre-me, queime... Esmaga-me com teu corpo e me possua.
Outras vezes ela se demonstrava escandalosa na hora do ato propriamente dito, Professora de inglês, zootecnista e torcedora de futebol:
- Ohhh... YES !!! Ohhh...YES... Vem, meu macho! Vem, meu macho!
- Vai... Vai... Vai...
Todos os atos de amores de Mary eram grotescos com rugidos e gemidos. Suas palavras preferidas eram: gozo delicia delírio, êxtase num monólogo repetitivo. A mãe dela estava sempre perturbada por aqueles períodos sonoros, túmidos de desejo; e no silêncio, por vezes sentia acama ranger num movimento animal de uma relação a dois.
Ela usava saias curtíssimas e esnobava aquele corpão no condomínio onde morava. Um dia provocou o comentário do porteiro do prédio ao vê-la sair:
- Mini saia para mim tem que ser assim, é como prestação, quanto menor, melhor.
O pai de seu único filho. Quando ainda no berçário Mary exigiu que fosse colocado vidro fumê no berçário. Plasticamente falando ficou ridículo, mas era mais uma de suas excentricidades. Ele era dependente químico e ela não segurou mais a barra e saiu do relacionamento. Ela andava triste, mas não dava mais para administrar; o mínimo que podia fazer era ater-se a verdade. Porém ela sabia que nem todos eram viciados em drogas, nem todos seriam bêbados como seu falecido pai.
A atenção da jovem voltava para ele. Mais alto do que ela pelo menos uma cabeça. Nariz e queixo bem modelados, cabelo e barba preta, ele sorriu para Mary, portava uma pasta de couro macio e escuro, que cheirava bem. O terno Ambar e a camisa de illion agradaram a bela loira. Ela o achou elegante e bem educado o que, enfim, constituiu o essencial das qualidades que ela esperava de seus parceiros. Tentou adivinhar a idade dele. Quarenta ou cinqüenta anos? Deve ter vivido bastante, pelas rugas no canto dos olhos. A presença dele era agradável.
O empresário havia tido um longo caso amoroso com a loira sinistra, certo dia tentara o suicídio pulando do primeiro andar na calçada em frente o prédio em que morava. Fora atropelado por uma bicicleta em alta velocidade que passava naquele exato momento, entrando em óbito no local. A Bike capotou lançando longe um jovem dentista que nada sofreu além de escoriações pelo corpo. Ela percebeu o tamanho da tragédia, mas seus olhos demonstravam apenas apreensão e seu rosto estava branco de preocupação. Desabou no sofá amassando com gestos nervosos uma corrente de ouro de 18 quilates, e aos prantos, com o ocorrido. Fora consolado pelo dentista envolvido na ocorrência.
Mary levantou-se olhando para as paredes de seu apartamento com um olhar triste. Ela observava as camas estreitas, cada uma delas coberta por uma colcha cinzenta; as pontas dos lençóis e dos travesseiros eram brancas, mas também tinham um tom acinzentado, resultante de muitas lavagens e pouco alvejante. O sol do final da tarde apareceu ligeiramente através das janelas nas extremidades do quarto, mas seus raios não eram fortes o bastante para acabarem com as sombras que ofuscavam o contorno das estantes acima da cama, as costas da cadeira ao lado destas e os armários na parede oposta.
Tudo parecia cinzento ali.
Um mês mais tarde o protético estava de caso com Mary. Era um rapaz alto e magro, com óculos de armação de chifre, e usava roupas discretas e de bom gosto. Desde o princípio, considerara a ligação com o dentista necessário para sua saúde bucal. Loira fatal. Inteiramente natural a sua forma de pensar. No primeiro encontro tratou-se com intimidades, abraçaram-se sem embaraço, sem pudor, nem rubor, mas com uma intimidade que parecia antiga. Ela tinha se lançado nos braços e no pescoço dele; seus beijos profundo, infinito, quase imaterial pelo seu êxtase. Durante um momento. Quase interminável, houve entre aqueles dois seres, sacudidos por um ardente vendaval de paixão.
Era uma mulher de múltipla escolha. Nenhuma hipocrisia vinha alterar a pureza daquela alma gêmea, extraviada por uma conduta irregular sempre alternando suas experiências amorosas sem nenhum compromisso ou responsabilidade. Estava enganada; mas sem saber, e, contudo, num instinto perverso sentia-se poderosa. Depois desta, ela conheceu um recém engenheiro formado que depois de um rápido colóquio foram jantar num restaurante finíssimo. Um princípio devastador, como nunca se poderia imaginar. A profundidade era conseguida pelo sedentário que rumava num caminho cheio de obstáculos. Logo ele descobriria que não valeria à pena. Nunca uma relação sadia, como deveria ser; mas uma metáfora enjoativa.
Tudo ali estava muito silencioso. Então alguém começou a tocar piano. Era Prelúdio n°7 de Chopin, aquela harmonia tomou conta do ambiente.
Num vestidinho, de verão muito sensual, se podia sentir o cheiro a sexo de fêmea no cio, Usava uma roupa extremamente sexy incapaz de ocultar seu belo corpo. Com olhos fogosos ela revelava promessas ocultas de coisas indescritíveis. Seios pequenos e bem modulados comprimiam-se contra o tecido como se quisessem se libertar. Cintura fina e quadris compactavam sólidos, que por sua vez formavam um conjunto perfeito com suas bem torneadas pernas.
Naquele exato momento, ela teria visto um apaixonado por ela do outro lado do restaurante sentado no bar que a observava insistentemente. Então a loura passou provocá-lo, cruzando, descruzando as pernas. Como ela sempre se vestia com roupas curtas e não abria mão de acessórios como meia 7/8, cinta-liga e calcinhas bem transadas. Durante um momento, o rapaz que a acompanhava deixou-se levar pela indignação com desconfiança que sentia ao perceber seu exibicionismo. Nesse momento o seu acompanhante oferece-lhe uma dose de uísque ;
- Menina, aceita outro copo?
- Não, muito obrigada, faz-me mal as pernas.
- Adormecem?
- Não, abrem.
- Não pretendo agüentar isso, Mary! A relação vai pro brejo quando a gente começa a engolir muitos sapos, é melhor perder a perereca.
- Não seja tolo!
- Estou fazendo papel de idiota. E, eu não me presto a isso!
Quando de repente, aquele senhor maduro aparentando embriaguez se aproximou da mesa de Mary tascando um tremendo beijo na boca, beijo de língua, depois se foi embora sem dizer uma palavra e sem se importar com a pessoa que estava sentada com ela.
- O que é isso, Mary? Quem é esse homem?
E a loura constrangida:
- Bem, querido... Eu ia te contar, mas a gente se conhece a tão pouco tempo...
- Então conte já!
- Esse é meu amante! Ele costuma me chamar de Ambiciosa, margarina e mulher negativa:
- Eu quero tudo! Me dá tudo! Que delicia, que delicia... Ou... Não... não... não... Não é engraçado?

- Amante? Ora essa! Mas que desaforado!
- Procure entender, porque é ele que financia minhas férias na Europa, as roupas de grifes famosas que você me vê usar, as festas de aniversários lá de casa... Até o triciclo motorizado da minha irmã Olivia Palito é presente dele. As palavras dele era repletas de sentimentos, mas num tom de muita emoção. Seus olhos estudavam os de Mary com frieza, para avaliar a reação.
Tudo indicava que aquele fato sórdido não merecia ser dessecado, porém ingeriu seu nojento aspecto dramático. Diante daquela lógica irrefutável, ele sentiu seu sangue ferver de uma forma irrefutável. O latejar do coração dele parecia encher-lhe os ouvidos como se fossem batidas de tambor fúnebre. Ele se levanta e saiu gritando do restaurante. “Eu quero morrer, quero morrer...” Ela ficou sentada na mesa imóvel, quando o garçom se aproximou para retirar os pratos. Mary se pronunciou:
- O que ele está pensando que eu sou. Ninguém me abandona assim sem punição. Ele que me aguarde, vai ter volta, há isso vai...
- A conta está paga senhorita, não se preocupe, disse o garçom.
Agora ela exibia um ar de completo deboche. Mary desceu a rua em direção ao ponto de ônibus. A rua deserta e escura estava iluminada somente por um pequeno facho de luz que saia do poste a sua frente. A cena lhe causava arrepios como um choque elétrico que percorria seu corpo do dedão do pé até o ultimo fio de cabelo. Não soube explicar se aquela sensação era causada pelo frio do inverno ou pelo medo de alguém aparecer para assaltá-lo. Continuou caminhando em direção ao ponto que ficava no final da rua em um dos cruzamentos mais movimentados do bairro. Um barulho ensurdecedor tomou conta de seus ouvidos. Um motoqueiro passou por ele em alta velocidade. A moto passou cambaleando de um lado para o outro e com velocidade muito acima da adequada para a rua. Ela deu um salto para o lado, tamanho o susto que levou.
– Que cara louco.
Ela vagava pela madrugada, volta e meia olhavam o insípido céu, enquanto eram apaziguados pela escuridão da rua triste e vazia de gente. Ouviam o estranho gemidos de gatos no cio e por mais que procurassem os tais bichanos, não conseguiam encontrá-los, os bichos pareciam se esconder para terem mais privacidade. Alguns carros passavam raspando pelo asfalto. Mary ali na rua, a vagar, se sentia livre e desimpedida.
Nunca se viu tamanha dor de corno. Ele nunca disse o porquê para sua família... Fora aconselhado por eles a se mudar para a cidade de João Pessoa recomeçar sua vida estraçalhada por aquele grande amor. O tempo foi passando sem que ela tivesse mais noticias dele. Ela estava viciada nele. Descobrira com aquele rapaz o vício de cheirar suas cuecas usadas. Aquele clima era constrangedor, depois ela o agarrava, fazia sexo, batia na cara dele, gemia, gemia demais! Gritava berrava e dizia que ele era o cara mais gostoso do mundo. O chamava de “sex machine” e depois se calava. Era uma mulher perfeita, mas estava tudo errado. Ela praticava o esporte da traição. Vivia saindo com outros na sua ausência. Era uma amante perfeita, mas estava tudo errado. Ele não queria uma mulher assim. Ele queria ter o direito de peidar para ouvir suas reclamações, porém só levava chifres. Ela entrava no banheiro e não saia mais, cheirando suas cuecas usadas... Horas e horas... Ele chegou a cheirá-las para descobrir o que elas exalavam de tão especial; mas não descobriu nada. Ela era mesmo viciada em cuecas. Era vício, vício! Pior que o pó! Ela deixava bilhetes na porta da geladeira dizendo: “Mozão, te amo, te quero, mas ia dar para outros, pode?” Ela se tornou uma mulher vazia... Ele não merecia uma mulher assim. Quando era questionada ela depreciava a si própria: “Eu sou uma porca mesmo, peido, arroto, traio, minto e não gozo, mas o que eu gosto mesmo é de cheiras suas cuecas”. Ele era o oposto e não merecia uma mulher assim, se sentia um covarde, todavia iria abandoná-la. Foi o que fez...
As coisas não acabam por vontade própria dos dois. Embora possa acabar por vontade de uma parte apenas. Ele teria dado conta que aquela relação havia acabado bem antes e apenas não perceberam por causa da inércia própria dos corpos. Talvez fosse o caso da aplicação da teoria dos limites, o que foi realmente que acontecera. Mesmo sabendo como os limites são eles próprios, incompreensíveis. Para ele agora, o essencial seria o esquecimento dando uma vaga idéia de fim. Sabia que nessa vida cada um encontra o seu fim merecido uma vez que nivela o delicado desejo da diferença. O fim daquele romance se revelara uma fuga quase contínua aos exageros praticados sem limites do bom senso. Ele estava perfeitamente de acordo com o “status quo”, e para onde virar o mundo ele viraria também. A prática da vida o fez sentir vantagens do sentido prático.
Numa outra circunstância ela se encontrava com outro amante num motel. Ela dava mais que chuchu na serra. O empresário que estava se divertindo distraído quando ela resolver sem avisar, fechar as pernas, o Orelhudo protestou:
- Caramba! Quebrou os meus óculos.
Em vez de se sentir aliviado depois de um encontro amoroso com a bela Mary Caçapa, doutor Orelhudo foi tomado de uma raiva louca. Aquela indulgência fingida era mais dura de aceitar do que uma agressão de verdade. Um dia sua bela foi para fortaleza e de lá ligou acabando com a relação:
- Encontrei aqui em Fortaleza um companheiro ideal. Ele possui as mesmas características de um Vectra da Chevrolet. O amante desesperado corre a uma concessionária e pergunta ao vendedor quais as características do carro.
O vendedor responde:
- É mais potente, mais comprido, mais rápido na subida, mais bonito e não bebe muito. O doutor Orelhudo compreendeu imediatamente o que sua amante quis dizer.
Duas semanas depois, é ela que recebe um telegrama dizendo:
- Eu também encontrei uma companheira ideal, reúne todas as qualidades da nova Cherokee.
Curiosa, Mary vai a uma concessionária, e pergunta sobre o tal carro.
O vendedor responde:
- É mais resistente, suporta mais peso, tem lubrificação automática, a carroceria é nova e mais arredondada, é mais bonita e confortável e ainda possui Air-bag, é mais silenciosa, não vaza óleo e aceita engate na traseira.
Não esperou mais nada. Seria inútil tentar seguir em frente com aquele relacionamento com aquela loura de difícil convivência. Com a respiração acelerada, fez meia volta na Nissan passando por três cruzamentos de ruas sem importância, ele entrou numa rua lateral e foi até a ladeira do Uruguai. Chegando numa famosa avenida estacionou e saiu para tomar um ar. Chegando ao calçadão, diminui os passos e misturou-se às pessoas que caminhavam em direção ao centro da cidade. Em sua maioria eram mulheres que, sozinhas ou em pares, passeavam de braços dados pela avenida ladeada de árvores, lançando olhares convidativos, sob a luz azulada que baixava dos postes de iluminação. A medida que seguia em frente, ainda com os dentes cerrados de raiva e engolindo a seco, ele sentiu aumentar sua indignação. Escapara ao perigo imediato, mas seu contato com Mary estava terminado. Será que estavam?... Ele soltou um tremendo palavrão. Só de pensar naquilo, Orelhudo sentia tomado de um verdadeiro caos de emoção, de raiva e rancor que lhe estrangulavam o peito.
Incapaz de entender toda aquela agressividade de Mary, ele pensava como tudo aquilo havia começado um dia comum e se transformara em algo fora de controle. Ela era bonita e inteligente, mas ele tinha encontrado antes tantas mulheres bonitas e inteligentes, então por que se prendera de forma doentia a ela. Ele mal a conhecia e teria se envolvido terrivelmente. Aquilo não fazia o menor sentido.
Era uma pessoa pouco suscetível de análise. Sabe-se que ela possuía um grau extraordinário das mais intensas fontes de prazer físico. As reações mais diversas, porém complexas, subtraídas de pensamentos de uma inteligência vulgar. Seu raciocínio era o limite da idiotice suficiente para atrair machos desatentos. Na verdade, todas as pessoas que a conheceram foram invadidas por uma violenta paixão. Da parte dela, cada vez que ela era tomada pelo pressentimento de perda de uma imensa fortuna, decepcionada, ela entrava em crise e ficava agressiva. Nas noites ouvia ruídos de corocoxós e zumbidos de mariposas.
Quando ela ia a uma igreja. Isso muito raramente, ela se confessava sem nenhum pudor:
- Todas as minhas experiências, Meu Deus, fazem PUM! Por que será?...
Uma voz no seu subconsciente dizia:
- Você é uma cáca minha filha, você é uma cáca...
Mary Caçapa pega em Fortaleza o avião que a conduzirá a São Paulo para fazer compras para sua loja de grife recentemente inaugurada. Ela não entendeu o que lhe disse o homem vestido com elegância que se sentou ao seu lado; mas não se preocupou. O alerta da liberdade sucede os ócios e as quietudes da sujeição. Acomodada no seu lugar, próxima da janela. O companheiro de viagem começa discretamente a prestar atenção nos detalhes daquela bela loira. Uma blusa leve deixava passar a silhueta da flexibilidade que possibilitava adivinhar a nudez dos seus seios sem sutiã sob a blusa. De canto de olho ela observa melhor o homem ao lado e percebe que é mais alto que ela e tinha nariz e queixo bem modelados, cabelo e barba pretos, porta no colo uma pasta de couro macio e escuro, que cheira bem. Tenta adivinhar sua idade, quarenta, talvez cinqüenta anos? Deve ter vivido bastante, pelas rugas nos canto dos olhos Ela então, sorri para ele. Acha a presença dele agradável. Agora o homem fala com ela. Como saber o que ele diz? A aeromoça percebeu o embaraço de Mary, Que não entendia francês. Porém o homem se esforça em criar frases em português com enorme dificuldade. Ela faz um trejeito de pesar e confessa com uma voz infantil ”Não compreendo” e ele se resigna a ficar calado. Ela olha novamente para ele que sorri amavelmente, abre um livro e não olha mais para ela. Mais tarde Mary relaxa no banco fazendo com que sua saia suba até a metade das coxas, então ela as cruza num gesto extremamente sensual, ele percebe e não consegue desviar os olhos delas. Ela fecha os olhos e finge dormir ouvindo no fone de ouvido belas canções. Ela se excita com a possibilidade de um contato íntimo com aquele estrangeiro no avião. De repente a mão do homem pousa na sua mão e começa levemente a acariciá-la. Aquele impulso minucioso e suave quase a levou a um orgasmo. Sem respiração, Mary sentiu seus músculos e nervos se paralisarem, como se um jato de água gelada a tivesse fustigado em pleno ventre. Ficou imóvel, não sem sensação, mas com todas as sensações e pensamentos parados, como num filme cujo desenrolar é suspenso sem se obscurecer a imagem. Não teve medo. A mão do homem acaricia seus dedos com habilidade. Quando a mão mudou de lugar atingindo seu joelho teve a primeira vez um sobressalto e cobriu com sua enorme bolsa os movimentos de sua mão. Ele sabia exatamente o que queria, Agora acaricia suas coxas sob a bolsa que tirava a visão de possíveis curiosos, uma vez que aquele vôo estava lotado.
Quando a mão acariciou o ventre dela se saciando de proporções, forçando suas coxas à abrir um pouco mais. Ali começou uma masturbação no ritmo e no tom que lhe agradava, ela agitava sua cabeça de um lado para outro. Os olhos entreabriram-se procurando os olhos dele com um brilho de puro êxtase. Foi uma experiência extremamente interessante concluiu ao desembarca em São Paulo.
Uma mulher elegante e ousada. Podia enfrentar qualquer evento. Ela estava coberta com um vestido de estampa escandalosamente decotado. Ela arrasou como não fazia há algum tempo ao aparecer na sala da casa para irem embora. Era um modelo Versace exibindo sensualidade e ousadia. A roupa colada ao corpo com um decote que ia até o umbigo arrematado por um broche de cristal. Ela chegava ao limite do pudor. O vestido acima dos joelhos movia-se com graça de uma bailarina clássica. As pernas se retesavam em movimentos delicados e femininos. Usava sandálias de saltos estratosféricos com tiras finíssimas deixando seus pés sensualmente expostos. Os cabelos louros dela formavam um halo selvagem ao natural. Ela mesma parecia não ter-se ainda materializado. Tinha aquele tipo de cabelo loiro quase transparente. Seu corpo balançou com a delicadeza de uma cortina acariciada pelo vento, depois perdeu o equilíbrio e balançou para cair nos braços do Orelhudo. Era um velho truque que ela usava, mais sempre dava certo. Ao vê-la assim vestida, ele sentiu que seus olhos queriam saltar de órbitas.
- Que elegância, mulher? Vou lhe dar um conselho. Viva, goze plenamente sua juventude enquanto ela durar! Procure incessantemente novas sensações. Não tenha medo de coisa alguma.
- Juventude, juventude.
- Quais são as coisas que você mais curte Mary?
- Um lindo vestido tomara que caia. Uma calcinha tomara que tirem. Um sutiã tomara que sustente. Um absorvente tomara que não encharque. Uma meia tomara que não desfie. Um salto alto tomara que não aperte. Novo namorado tomara que me ligue com algo bem grande que tomara que suba!
- MARY! Você é uma mulher perfeitamente normal e dona de uma vontade indomável.
- O quê?
- Qual palavra que não entendeu agora?
- O que significa indomável?
- Alguém que não é dominada, controlada, com facilidade.
- Vejo que você repara nos mínimos detalhes das coisas.
- Sim, faço isso.
- Também sou assim.
Ele parou de imediato e voltou-se, surpreso, para encarar aquele par de olhos brilhantes. Doutor Orelhudo poderia ficar alheio ao que falavam ao seu redor, no entanto, seria bobagem, em se tratando de Mary, uma mulher muito observadora e que não o deixaria sossegado enquanto não satisfizesse seus desejos. Era possível que ela mantivesse seu comportamento irregular em segredo? Ou já era tarde demais e já estava evidente que ela não passava de uma fraude? Curar a alma pelos sentidos e os sentidos pela alma! Aquelas palavras obcecavam curiosamente o doutor Orelhudo. Sem dúvida sua alma estava doente, mortalmente doente. Havia remissão para isso? Ah não! O fato de não desistir de Mary não tinha remissão para isso... Havia uma afirmação que a paixão o fazia pensar em círculo. De mãos dadas, eles começaram a subir as escadas que davam para a porta de entrada daquele hotel.
- Doutor Orelhudo! Você acha bom tom fingir-se de ofendido, me censurando pelo fato de ter passado três noites em companhia de amigos?
- Eu não acho Mary! Tenho certeza. Tu és infiel até a raiz dos cabelos.
Não esperava outra coisa daquele homem arrogante.
- Nossa! Que exagero.
- Mais uma vez ele tinha ficado impressionado com o tom de sinceridade dela. Uma cara de pau que não tinha tamanho.
Ele sentiu seus nervos vibrarem e seu pensamento se focalizava em Mary. Os tentáculos de seu raciocínio se estendiam, tateando e procurando, em coordenação com uma condição de alerta pouco natural. Ele não conseguia explicar a razão, mas naquele exato momento a sua consciência parecia estar sendo arrastada e dirigida por aquela bela mulher que fazia pouco caso a todo o momento dele.
- Mas que diabo você quer agora?
- Não vou mais tomar seu tempo, acalme-se.
- Ora essa! Vai ver se eu estou na esquina, Orelhudo!
- Vá pro inferno.
- Vá você!
-Vou matar você. Mary respondeu.
-Tá louca?
-Vou matar você.
E ela pulou em cima dele. Ele estava desprevenido, apesar de ser mais alto e mais forte,fui derrubado facilmente. Suas costas se chocaram contra o solo, as pernas estavam encolhidas como se eu fosse fazer um abdominal. Ela estava em cima dele, com suas mãos entrelaçando as suas, como se estivéssemos dando no couro. Péssima comparação. Ele estava apavorado. Seus olhos estavam vermelhos e grandes, sua sobrancelha estava bem aguda, os dentes rangiam nesta altura ele parecia mais um Pintier do que seu amigo amante.
- Que porra é essa! Gritou. Você está me machucando mulher!
Chegando a rua caminhou rapidamente para apanhar seu carro estacionado perto dali. Uma terrível suspeita começava a se formar no seu cérebro fervilhando. Se estivesse mais calmo, consideraria aquilo uma arrematada loucura. Agora, porém, não conseguia permanecer calmo, e aquele pensamento ruim germinava dentro dele já crescendo de tal modo que já o sufocava. Pensar que Mary o traía com vários homens poderia ser uma loucura, mas seu espírito torturado não o deixava em paz. Ele chegou em casa ainda estupefato por ainda estar a sentir o mesmo estranho torpor que o atingiu quando se lembrou o que acabara de passar. Olhou para o relógio. 2 horas da manhã. Comeu um pedaço do bolo, colocou seu casaco e saiu pela porta dos fundos. Longe de casa, entrou num beco e andou alguns metros até chegar no bar.
Um romance envolvente e arrebatador. Uma pessoa que se reconhece na outra e compreende que pode compartilhar com ela, o que seria impossível dividir com qualquer outro. Entre o cômico e o erótico, materializando fantasias num mundo quase irreal.
Prevalecia os talentos sexuais dela para surgir uma paixão violenta e devastadora naquele homem maduro. Ela era sexo em estado puro. Estava projetando um mundo perfeito, um tentando ultrapassar o outro em tolice e rindo até as lágrimas com as próprias piadas.
Na verdade todos os escândalos que ela provocava eram sussurrados por todas as pessoas que a classificavam com um caso insolúvel. Não entendiam porque cada vez mais ela despertava curiosidade aos olhos dos homens maduros afim de uma aventura. Ela exercia sobre eles um perigoso fascínio que dela emanava. Eis que na maioria das vezes, as verdadeiras tragédias, na vida dela quase sempre se manifestavam de forma pouca estética; chocando pela sua crueza e violência, pela total incoerência, pelo seu absurdo, por sua total ausência de estilo, afetando da mesma forma que a própria vulgaridade.
Sob a chuva fina que caia, Mary com cabelos cor de mel reluzia, esvoaçando sob o vento. Caminhava rapidamente pela Avenida Cajuína. O seu encontro com seu próprio eu, sempre a comovia. Fica só às vezes para pior as idéias no devido lugar. A vida era demasiadamente curta para pagamentos de todos os seus erros. Ela nunca saldaria as suas dívidas com o destino. Tinha consciência disso, porém não mudava jamais seus métodos e seu comportamento.
Ela diante do espelho olhava-se, sorria com o seu sorriso quente, contente das suas linhas, acariciando devagarzinho. Voluptuosamente, a pele branca e fina. Mais tarde enfrentou uma pia cheia de louça suja com bom humor, cantarolando:
Eu fui dar mamãe, eu fui dar mamãe.
Um serão extra, no escritório do doutor!
Eu fui dar mamãe, eu fui dar mamãe.
Quando sua mãe chegou a cantoria cessou. O rosto dela perdeu o rubor, tornou-se subitamente pálido. Havia dor em seu olhar. Encostada na moldura da porta da cozinha, deixando perceber o seu perfil que ainda conservava esbelto.
- Seu Patrão é sempre assim?
- Assim como?
- Pedindo que trabalhe sempre fora do horário normal.
- Nem sempre. Só quando a mulher dele viaja então ele aproveita para por toda a documentação em dia. Ele perceber logo, que a filha continuava dando... Serão extras no escritório do doutor.
- Que idade ele tem?
- Trinta e dois anos.
- Nossa! É novo...
- Novo e bonito.
- Como é seu trabalho?
- Penoso. A senhora não percebeu quando eu cheguei ontem, tarde da noite de lá, estava com olheiras e dificuldade para sentar? Exaustivo dar conta daquele homem, não é fácil não!
O tom monótono da sua voz não revelava nenhuma saudade do trabalho. Parecia que não estava disposta a continuar nesse emprego.

Continua...
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Sobre este texto

ivan

Autor:

Publicação:12 de junho de 2012 09:51

Gênero literário:Crônica erótica

Tema ou assunto:Pulando a Cerca

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